segunda-feira, agosto 30, 2004

A primeira pedra

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Na passada sexta-feira, lançou-se a primeira pedra das futuras instalações do Museu Municipal de Portimão na antiga fábrica Feu. À parte o paradoxo de lançar-se uma primeira pedra num edifício já existente (com mais de 100 anos), foi bonito, pá, com pormenores que me saltaram à vista e que eu gostaria de partilhar convosco. Para começar, a parte da benzedura (sim, eu sei que é benção que se diz...) da pedra, por parte do padre Arsénio. Eu sou da opinião, que tendo esta cerimónia decorrido numa antiga fábrica, e sendo a igreja uma das entidades que mais manteve o trabalhadores numa obscuridade mental que não lhes permitia rebelar contra a sua condição, não deveria ter havido benzedura da pedra, por desrespeito à memória operária. Mas o padre Arsénio (se calhar o padre mais dentro da parte boa do catolicismo, a pastorear em Portimão) teve isso em atenção ao ir sem quaisquer vestes cerimoniais... Ainda assim tivemos que levar com missa e vimos o presidente da Câmara a ler passagens da Bíblia... Depois de encarcerada uma antiga lata de conservas num bloco de granito da Fóia (antes assim, já viram o rídiculo de escavar o chão da fábrica?), assistiu-se aos discursos das altas patentes. Começou por falar o Presidente da Câmara, num estilo Fidel Castro (na forma, não no conteúdo...), sendo ainda aquele que melhor percebemos. De seguida, falou a star da cerimónia, o músico (e ministro da cultura do Brasil nas horas vagas) Gilberto Gil. Bem, este discurso foi mais engraçado pois o homem parece que tinha fumado uns quantos, falando com descontração e improviso. Junte-se a isto, o catering ter começado a abrir as garrafas de espumante, enquanto o brasileiro falava. Por fim, falou a secretária de Estado das Artes e Espectáculo (mas que era para ser da Defesa), Teresa "ex-namorada do Piet-hein da Endemol, o gajo que era casado com a Alexandra Lencastre" Caeiro, cujo discurso dividiu-se em duas partes. A primeira parte foi dedicada interiamente ao deslumbramento da senhora estar junto ao Gilberto Gil (que vergonha, e depois não querem que os brasileiros nos considerem saloios...). A segunda também não teve qualquer imaginação alguma, com a senhora a usar e abusar de lugares-comuns sobre a cultura e o Algarve. Para acabar em beleza, a malta atirou-se toda à comida e fomos todos embora felizes da vida com o arranque de um sonho que tinha 21 anos, e agora tornou-se realidade.

Os talheres do Grande Lider

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Volto à minha rubrica gastronómica, agora baptizada de "Os talheres do Grande Lider". Desta feita, o restaurante em questão é o TocToc, que, tal como o primeiro restaurante vítima deste teclado, localiza-se em Ferragudo (mais propriamente na rua Afonso de Albuquerque). Tendo também take-away, o TocToc é o "escoador" de uma empresa de produtos alimentares de Ferragudo, resultando a sua ementa numa série de pratos costumeiros nos restaurantes portugueses. Porque febras, bitoques e ensopados de borrego eu encontro nos mais variados restaurantes, decidi pedir uma pizza média, já que fiquei com curiosidade de ver como é que eles se desenrascavam numa área que não parecia andar na mesma "frequência" do restante menu. 20 minutos depois de ter pedido (o tempo que a pizza demorou a ser feita, e que do qual tinha sido avisado previamente), eis que chega a pizza. O veredicto que faço da pizza (massa fina, com tomate, queijo, fiambre e bacon), é de que até não estava mal para uma tentativa de malta que nunca tinha antes feitos tais pratos, à parte o facto da massa ser demasiada mole e sensaborona, juntando-se o facto do tomate fazer lembrar o seu congénere das pizzas ultra-congeladas do Lidl (ou seja em demasia). Para sobremesa, marchou uma salada de frutas feita sem grande convicção. A nível de atendimento, ninguém me mordeu e ninguém me afagou, com a curiosidade da único empregado de mesa ser uma cidadã eslava (não houve problemas de comunicação, mostrando-se a senhora prestável e simpátivca q.b.). Veredicto: 3 talheres (mal lavados) - É acima de tudo de um restaurante de refeições rápidas, juito voacionada para o take-away, não se ficando com a sensação de grande fruição gastronómica. Mas cumpre no género em que se insere.

Chocolate belga é do melhor

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Há muita corrida de touros que se intitula "à antiga". Se calhar seria assim que poderíamos considerar o GP da Bélgica, que se realizou na mítica pista de Spa-Francochamps. Michael Schumacher não ganhou, mas garantiu o título de campeão na sua "pista-fetiche", mas tal passou quase despercebido, depois da emocionante corrida que teve lugar em pleno bosque das Ardenas. Veja-se que: a vitória foi para Kimi "The Ice Man" Raikkonen (sendo a segunda vez este ano que a Ferrari perde um GP,); Barrichello, depois de um desaguisado na primeira volta, fez uma recuperação de último para 3º; nessa 1ª volta deu-se toda uma série de carambolas que deram grande animação à corrida; a Renault passou de uma prestação fenomenal a surreal; Jenson Button, depois de ter recuperado dos incidentes da primeira volta, viu-se-lhe rebentar um pneu na recta de Kemmel a cerca de 300 Km/h, levando consigo o Minardi de Baumgartner, que por lá ia passando; além de Button, também a Coulthard e Montoya, se lhes rebentaram pneus dos seus carros; houve ultrapassagens; houve uma data de incidentes de corrida; enfim, houve espectáculo conjugado com desporto. Por favor, Sr. Mosley, não estrague mais do que já está feito, com as suas reformas de fim de mandato.

As mais sinceras desculpas

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Por motivos de avaria do suporte informático pessoal e de agenda laboral, como poderão ter observado, nos últimos dias não tenho criado novos posts. Ao meu imenso rol de fãs, as minhas mais sinceras desculpas. A Gerência

quarta-feira, agosto 25, 2004

Pequenas nuances em momento de tristeza

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Hoje fui ao funeral do pai do meu padrinho de baptismo. O coitado (neste caso pode-se utilizar esta palavra, sem ter aquele uso indiscriminado que os portugueses lhe aplicam) do Sr. Manel há anos que padecia da chamada "doença prolongada", resultando se calhar este triste acontecimento, num momento de alívio para ele e para a família (família essa que é uma das minhas segundas casas). Venho partilhar convosco alguns pensamentos que passaram por esta cabeça nesta manhã. Para começar, a minha mãe começou logo a dizer para quando chegasse ao velório ir cumprimentar o meu padrinho, a viúva, a minha madrinha, as minhas primas, etc. . Mais tarde quando levavam o caixão para o cortejo, disse-me de seguida para ir assinar o livro de condolências, que ficava bem. Depois, na rua, criticou o meu pai (que tinha chegado mais tarde) por não ter ido a casa mudar a camisa que tinha um padrão algo roxo-vermelho. Agora ponho eu a questão: para quê tanto salamaleque num momento destes? Se fosse só a minha mãe com este tipo de atitudes, tudo bem, mas que ainda muita gente com este tipo de comportamentos, lá isso há. Eu sou daquelas pessoas que acha que se deve deixar os entes mais chegados dos desaparecidos curtirem a sua dor, só dando a nossa aparição se se ver que essa pessoa está em condições de receer o cumprimento. Imagine-se quão traumático não deverá ser para as pessoas mais ligadas ao falecido(a), a receber uma data de pessoas e sempre a trazer-lhes à memória não o falecido em si, mas sim o seu desaparecimento. Ora, assim que uma pessoa morre, devemos celebrar a sua memória, o que nos fica dele, e não a parte trágica. Isso leva-me a outra questão. Todos sabemos que o nosso país é um país crente, mais concretamente no credo católico. O que eu ouvi hoje (e não ouvia há muito tempo, pois a mim já ne me enganam) foi através a lógica da perversidade católica. Uma gaja gorda e catequista amiga da minha prima Célia (que por acaso também é catequista e já foi mais magra...) esteve-nos a entreter com a velha de conversa de que vimos, vivemos para Deus, Deus nos dá a vida e que a morte serve para devolver a vida a Deus, and so on. Acho que cada vez ouço parlapié católico, menos vontade me dá de tentar acreditar naquilo! Por fim, um dos cangalheiros demonstrou ter a sensibilidade de uma porta blindada, ao perguntar ao meu padrinho em voz alta (estilo peixeira a apregoar) se queria que a urna fosse aberta, antes de a deitar à terra. Junte-se a isto, um breve do diálogo da responsabilidade dos coveiros, quando a gorda catequista falava no cemitério: Coveiro 1: Este já na dá más trabálh Coveiro 2: Mó, qjeit! Ainda dá trabálh, dá... Coveiro 1: Ah, é verdád1 Inda falta descé-l... P.S. - A memória que me fica do sr. Manel, é daquelas vezes em que eu e o meu irmão ficávamos na casa dos meus padrinhos quando os meus pais iam para fora, e íamos com o sr. Manel para a rua atirar uma bola de ténis coçada para o cão dele apanhar. Sempre o conheci como pessoa afável e simpático, nunca tendo quaisquer problemas com ele. Chega a todos. Um abraço do tamanho deste mundo à família do meu padrinho, em especial a ele e à D. Maria.

segunda-feira, agosto 23, 2004

Deslumbramento

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Ficamos todos felizes com a conquista da medalha de prata nos 100m por Francis Obikwelu (nigeriano emprestado a Portugal). Gilberto Madaíl disse hoje que via com bons olhos a chamada do brasileiro Derlei à selecção portuguesa. Sem querer questionar o valor dos atletas em questão (que é imenso), estamos a caminhar para um destino perigoso, já que se continuarmos esta tendência qualquer dia mais vale abandonar a formação nas mais variadas áreas desportivas, pois o que não falta são atletas de África, do Brasil ou dos ex-socialistas do leste europeu, com extremo valor desportivo e poucos valores na carteira. Madaíl desculpou-se com a era de globalização mundial, para justificar a chamada de Derlei (só faltou dizer que se justificava porque o Brasil é um país irmão...), juntando-se ainda Deco à questão, mas se formos desculpar tudo e qualquer coisa com a globalização, se esse é o exemplo dado por um político (sim, porque Madaíl é membro do PSD, tendo já desempenhado elevados cargos no distrito de Aveiro), então mais vale assinar de cruz a Constituição Europeia e começar a enfiar nas nossas cabecinhas que seremos o 25ºEstado dos EUE (Esatdos Unidos da Europa)

Nova rubrica

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Hoje venho inaugurar, neste vosso blog, uma nova rubrica, dedicada à crítica gastronómica. A honra do primeiro restaurante é o "Espetadas & Companhia", localizado em Ferragudo, perto da subida que vai para as praias. À semelhança dos seus congéneres "A Guitarra" na Mexilhoeira da Carregação, este restaurante aposta sobretudo num menu de comida à descrição por 11 euros. Esse menu garante o couvert, bebidas, sobremesa e café à descrição, juntando-se ainda uma espetada de lulas e outra de carne (grelhadas, claro está...). Nas entradas, desiludi-me um pouco com a manteiga de alho à disposição, pois além de o alho pouco se fazer notar, o sabor da manteiga fazia lembrar esse atentado ao prazer de saborear que é a margarina Becel. No que diz respeito às lulas e à carne, sem grandes reparos, havendo alguns de nós que apanharam uns quantos picos com gordura a mais. Sobremesa (pudim flan semi-artificial) e café normais. Serviço simpático e prestável, havendo só uma pequena nuance: contrataram um brasileiro para estar a assassinar umas músicas (especialmente as que tinha que cantar em inglês), com um jogo de luzes grotesco e o volume demasiado alto para podermos manter uma conversação confortável à mesa. Logo, achamos piada quando a sua partenaire partiu um dos candeeiros de inspiração regional que estavam pendurados como decoração na parede, quando retirava um dos aparelhómetros que dava apoio ao espectáculo(?)... Veredicto: 3.5 talheres (0 a 5)

sexta-feira, agosto 20, 2004

SuperTaça

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Esta noite assisti à 2ª parte da jogo da Supertaça Candido de Oliveira entre o Benfica e o FC Porto, e cheguei a uma conclusão: ambas as equipas ainda estão algo verdes. No que diz respeito ao resultado do jogo, é justo, já que não podendo empatar, qualquer uma das duas equipas merecia ganhar. Mas note-se que o golo do Porto é obtido num momento de inspiração do Carlos Alberto e do ciganito, não sendo todo um movimento de ataque organizado que vai lançar a jogada de golo (e também com o Argel pela frente, até ao marco golos...). Mas voltando ao juízo inicial, o FC Porto ainda tem muito recente a chegada de Vitor Fernandez, logo não tendo o sector do ataque (o mais querido ao espanhol) ainda nas perfeitas condições. O que lhe vale é que tem uma defesa de luxo, onde nem se nota as ausências de esteios importantíssimos como Ricardo Carvalho ou Paulo Ferreira (porque é que o Benfica não conseguiu ir buscar o Seitaridis?). Por outro lado, Trapattoni tem que ver Argel é um poço de declarações fátuas, devendo pô-lo a apanha-bolas, e pondo como titular o feio, porco e mau Ricardo Rocha, que encaixa perfeitamente com o intocável Luisão (por mim, o ex-bracarense também devia ter este estatuto), como se viu na época passada. Fyssas em vez de Dos Santos (é um toque mais fino). Simão proibido de aparecer nas revistas de coração (a julgar pela desinspiração desta noite, os flashes das câmaras fotográficas também cansam...). Treino urgente de conciliação de Karadas com Sokota (o norueguês é demasiado tosco para jogar sozinho). Aliás, Trap tem que rever todo aquele ataque. Mas apesar disto parecer saudosismo sportinguista, parece-me que a equipa nunca esteve tão forte como neste ano

quarta-feira, agosto 18, 2004

O caos aproxima-se

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Nuvens cor de chuva pairam sobre a minha casa, e desta vez parece que é pela certa que chove. Estou agora a imaginar as turbas de lisboetas, bimbos, emigrantes e afins, todos em fila à la Lisboa/Porto na rotunda do Modelo, armando confusão no trânsito e no Centro Comercial, queixando-se por todos os poros, da porcaria que é o Algarve. É tão giro a malta queixar-se e voltar todos os anos... Como odeio o mês de Agosto!...

terça-feira, agosto 17, 2004

Portas fechadas

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Acabei de ler que o anormal do Durão Barroso pôs como comissária das relações externas e política de vizinhança europeia, a austríaca Benita Ferrero-Waldner, membro do famigerado "Partido da Liberdade" de Jorg Haider. É sempre engraçado (no sentido tragicómico da coisa) ver que a onda da extrema-direita chegou à própria UE, quando esta devia constituir exemplo para todos os países membros. Mas o nosso querido Durão Barroso (ou José Manuel Barroso (ou José Barroso)) é conhecido por fazer muitos erros de casting. Aliás: ele próprio é um...

Paulinho da bicicleta de prata

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Orgulho de Portugal, Sérgio Paulinho, muito ao estilo dos bons ciclistas portugueses, ou seja, humildemente e com vontade, arrecadou a primeira medalha para Portugal nos Jogos Olímpicos de Atenas'04. Só a ratoeirice de Paolo Bettini, melhor corredor de clássicas da actualidade, e a sua juventude para enfrentar adversário tão calejado, é que fez com que o corredor de Oeiras não obtivesse o ouro.
Já no momento em que o ciclista da LA-Pecol arrancou para a sua primeira vitória numa etapa da Volta deste ano, Marco Chagas, aos microfones da RTP, disse para quem quisesse ouvir, que Sérgio Paulinho era o melhor ciclista português da actualidade a seguir a José Azevedo. Sérgio veio a ganhar essa etapa (não me lembro em que localidade findava) com um à vontade de campeão, servindo Atenas para nos mostrar que Marco Chagas é dos melhores comentadores desportivos (numa dada área claro) da televisão portuguesa...

Tokay estragado

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Desta vez não me queixo de não ter visto o GP húngaro. Aliás, vi trechos enquanto esperava (e desesperava) pela comida no MN (Montenegro), mas foi daquelas vezes em que a vontade de ver a prova, foi quase nula. A prova de como as equipas não se andam a esforçar minimamente para bater a Ferrari (pelo menos aquelas com condições para tal), é que na pista onde o ano passado sentiram maiores dificuldades, Ferrari e Bridgestone dominaram como bem entenderam a prova, dando-se ao luxo de por os dois carros com pneus de tipos diferentes. Outra nota curiosa é o facto de supostamente a equipa com maior desmoralização crescente, a BAR/Honda (devido ao episódio Button), ter sido a primeira na qualificação a seguir aos foguetões de Maranello. E se continuarmos a analisar a grelha de partida, podemos ver que o melhor dos Minardi ficou a um segundo da Jordan, enquanto o melhor dos Jordan ficou a um segundo do Toyota de Zonta.
Convém lembrar que quer a Minardi, quer a Jordan, representam as equipas que construiram a F1, ou seja os pequenos assemblatori (montadores) que Enzo Ferrari desprezava, mas que se viu a seguir as suas regras. Estamos a voltar à primeira década da história da F1, quando eram os construtores de automóveis que mandavam na competição (Ferrari, Maserati, Mercedes, Alfa-Romeo, Lancia, Aston Martin, etc.), tendo a década acabado com a vitória no campeonato do mundo de Jack Brabham, com o seu Cooper/Climax, cuja concepção artesanal e em "kit" conseguiu ultrapassar os monstros sagrados. Note-se que mesmo a maior de todas as equipas da era dos "montadores", a Lotus, recorria a motores de competição cliente (embora tivesse alguma preferencia, os motores Cosworth DFV eram iguais para a concorrencia). Hoje em dia seria impensável as equipas estarem a comprar caixas de velocidade à Hewland ou então manter Cosworth's DFV durante várias épocas (que foi o que se passou com grandes equipas como a Lotus e a Tyrrell). Só para finalizar, e mesmo sabendo que os senhores Mosley e Ecclestone (eles que são antigos proprietários de equipas "montadoras") não ver ler este post, deixo esta pequena lembrança: a F1 teve o maior interesse competitivo enquanto as regras a nível de motores se mantiveram, ou seja, de 1965 a 1988 (embora aqui também se tenha que contar com a era turbo dos anos 80)...

sexta-feira, agosto 13, 2004

5 filmes para o fim-de-semana

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FOGO DE ARTIFÍCIO de Takeshi Kitano, GOSFORD PARK de Robert Altman, AMÉRICA ANOS 30 de Tim Robbins, MARTE ATACA! de Tim Burton e BANANAS de Woody Allen

quinta-feira, agosto 12, 2004

O Povo

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Há poucos dias, no decorrer de uma discussão, acusaram-me de cometer o erro de pensar que o povo existe, tendo eu estudado história. Ao que parece, a pessoa de que me acusou de tal facto, emprenhou dos ouvidos de um seu professor, por este dizer que o povo sempre foi uma camada de iletrados, que nunca existiu enquanto grupo consciente da sua condição.
Agora eu pergunto: não será essa a melhor prova de que o povo (enquanto conceito de grupo) sempre existiu. Se o povo não constituísse uma ameaça para as classes detentoras do poder, será que estas fariam o melhor que podiam para agradar aos seus correspondentes menos favorecidos? Porque razão é que o povo foi sempre subjugado por opressão económica (ainda hoje quem se lixa é o mexilhão...), opressão física (a pena de morte calha sempre nos mais fracos prevaricadores), opressão moral (sim, a religião) e opressão cultural (veja-se que no caso português só no século XX, é que começou a haver educação primária obrigatória). Ora, assim não há maneira de o povo se conseguir manifestar, pois não!... A super-estrutura da sociedade trata de o estrangular a partir do momento em que nasce.
Aquando da discussão em causa, atiraram-me com o facto dos responsáveis pelo êxito do 25 de Abril terem sido os militares, e não o povo que saiu às ruas. OK, verdade, mas será que se o golpe tem falhado, o Estado Novo conseguiria governar, depois da demonstração popular patente em Lisboa (e no resto do país)?
Meus caros, é por estas e por outras que o século XX é considerado por muitos o século do povo. Não é o povo que mexe os cordelinhos, mas já se viu que unido, jamais será vencido...

terça-feira, agosto 10, 2004

Trânsito citadino em Portimão ou a lei da selva

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Para quando é que se põe um polícia de plantão ao cruzamento da rua que faz a ligação entre a D. Carlos I e a Av. D. Afonso Henriques (a rua do stand da Chrysler)? Todo o santo dia, é ver as pessoas a entrar na rua pelo lado da Afonso henriques, uns por ignorância, outros para chegar mais depressa à D. Carlos I, arriscando assim aqueles que cumprem as regras de trânsito naquela rua. Convém ainda lembrar que na zona do cruzamento onde ocorre a prevaricação servir 4 concessionários automóveis, 3 oficinas auto (uma delas servindo uma rent-a-car, cuja reputação da condução dos seus empregados poderá conduzir a graves acidentes no troço em questão) e o acesso à zona ribeirinha. Mas vamos esperar que aconteça alguma tragédia...

Wild F1

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O mundo da F1 está actualmente em alvoroço, com toda a gente a preparar o ataque à Ferrari (na próxima época, claro está). Para começar, temos a Williams, que numa jogada contratual, conseguiu achar numa brecha no cotrato de Jenson Button com a BAR, conseguindo-o para o seu line-up da época vindoura. A BAR ficou assim desfalcada, mas para reparar esta situação David Richards poderá furar os planos da Toyota para contratar Trulli. O italiano é uma das hipóteses para aqui "tabagista", sendo a outra (entre as fortes) é a do ex-campeão Mika Hakkinen, que tem manifestado o seu desejo de voltar à F1. A meu ver, a bem da sua imagem, Hakkinen não devia voltar, pois já o seu último ano foi feito ao "ralenti" a nível de motivação, não me parecendo que Hakkinen recupere a sua ânsia de vencer, numa equipa cujas porbabilidades de tal ainda não estão solidificadas (senão fosse o episódio Button, eu diria que a BAR ainda ganharia uma prova esta época). Para os lados de Colónia, além de ter a contratação de Trulli em risco, a Toyota substituiu Cristiano da Matta por Ricardo Zonta, até ao fim do ano, ainda que da Matta continue a fazer acções promocionais para a equipa. A equipa japonesa fez ainda uma pequena limpeza de balneário Ange Pasquali (team manager) e o até há pouco tempo idolatrado mago dos motores, Norbert Kreyer. Esperemos que Mike Gascoyne consiga fazer algo desta equipa. Mas resumindo e concluíndo, para o ano vamos ter um Mundial, a meu ver, mais interessante, devido à distribuição de condutores: FERRARI: MSchumacher/Barrichello; WILLIAMS: Button/Webber (grande dupla, se calhar a melhor que se adivinha); RENAULT: Alonso/Fisichella; MCLAREN: Raikkonen/Montoya; BAR: Sato/ Trulli(?), Hakkinen(?), Coulthard(?), Davidson(?). As outras equipas não são para aqui chamadas, embora atendendo aos meios, convém sempre ver o que se passa pelos lados da Toyota e da Jaguar.

quinta-feira, agosto 05, 2004

Pequena errata

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Em conversa há bocado com o camarada Passenger, decidi fazer aqui uma pequena emenda ao post de ontem, "Somos uns plagiadores". Ele fez-me o comentário de que a comparação entre o Paulo Portas (o gajo dos submarinos) e o Jean-Marie le Pen (o gajo que não gosta de magrebinos em França), estava bem feita, mas sugeriu-me uma outra ainda é melhor. É que parece que no Parque Eduardo VII comparam-no à Catherine Deneuve...

Portugal-Paraguay

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Ontem, graças ao camarada Miguel (a quem mais uma vez agradeço) fui ver o Portugal-Paraguay em futebol, que serviu de preparação às duas equipas para os vindouros Jogos Olímpicos de Atenas, no White Elephant Stadium (também conhecido como Estádio do Algarve). Foi um jogo muito fixe, já que ganhámos nós e bem... Mais a sério, resolvi fazer um post sobre o assunto só para salientar duas coisas a que achei piada(?).
1. Os míticos émigrrãtes porrtúguéssez - Saímos de Portimão mesmo em cima do joelho, sem eu ter jantado, pusemos gasolina nesse parente do mitico Ford GT40 que é o meu Fiesta, e marchamos a semi-prego a fundo para Faro, sabendo já que não iríamos apanhar o pontapé de saída. Ora, com fair-play, fomos para o parque de estacionamento mais perto da entrada principal do estádio, à caça de lugar. Acontece que àquela hora já estava tudo ocupado naquela zona. À minha frente estava um MGF e mais adiante um Mercedes Classe C ou S (agora não me lembro, os desgraçados são idênticos à noite, mas sim eu sei o S é maior que o C...) com matrícula estrangeira. Chegamos a um Stop e o Mercedes algo logicamente parou. Mas aproveitou também a manobra para despejar passageiros. Ok, parecia uma atitude normal, só que os passageiros "despejados" desatam a discutir Kant ou Hegel com o condutor, enquanto nós e os outros ficámos estarrecidos perante tão inimaginável acontecimento. Vá lá que o GNR arqueou a pança e intimidou o condutor. Prosseguimos marcha, e num dado momento o MGF vira para outro lado. Resultado: ficámos atrás do Mercedes, e eu na hora, vi logo: a matrícula era do Luxemburgo. Era um emigrante português!!! Tudo explicado. Não sabendo no que nos poderia vir a acontecer, fomos até ao parque 2 do estádio, infelizmente com o Mercedes a alumiar-nos o caminho. E então não é que o estupor, o parvalhão, o quadrúpede, o emigrante, vai parar na CURVA, ao lado de GNR'S, para falar com a malta que tinha deixado lá atrás???!!!! Eu pergunto-me: estes gajos vêm de países mais civilizados que o nosso, estão expostos a um maior nível cultural que nós, era suposto constituirem um exemplo comportamental para nós quando vêm cá de férias; mas vêm cá e só fazem barulho, confusão e acidentes!... Bem, depois de os cobrirmos com uma boa dose de insultos, estacionamos o carro e fomos em passo largo para o estádio. A chegar à praça principal do dito cujo, reparamos que a zona estava delimitada por um gradeamento em rede. E na parte central desse gradeamento estava uma pequena turba, cuja agitação fazia lembrar figurantes de um musical de temática socialista. Ao aproximar-nos, para ver como é que se entrava para dentro do gradeamento, conseguimos observar de perto a agitação da mole humana, sendo que apercebemo-nos de que diziam frases como: "é uma verrgonha, isto só em Pórrtúgal e (o meu preferido) Merrrddddeeee!!!!!". Claro que diziam isto e empurravam a rede contra os stewards que se limitavam a cumprir o seu trabalho. Vamos lá pensar. A organização nem sequer abriu os topos, tal era a fraca afluência presumivelmente (e efectivamente...) registada, logo havia bilhetes de sobra (nós chegamos já bastante atrasados, mas podíamos escolher o lugar às mil maravilhas). Ora se aqueles energúmenos ganham muito mais do que nós, porque é que não compraram bilhete? Estavam lá à venda... E para quê irem fazer sala na praça do estádio? Não entenderam que o espaço estava interdito? Talvez não tenham entendido, pois em norma o emigrante português é muito mais burro que o português que não deu o salto...
2. O apoio à nossa equipa Já quando fui ver o Portugal - Inglaterra no estádio do Algarve, tinha reparado nisto: nós somos dos adeptos mais destrambelhados do universo futebolístico. Nesse jogo, além de não haver um apoio constante, quando alguém conseguia gritar Portugal, outro grupo qualquer desatava a gritar Figo. O engraçado era que quando os ingleses abriam a boca, quase que se sentia o vento emanado pelas suas cordas vocais (híperbole...). Ora, verifiquei que não melhorámos a nossa prestação como público com o Euro2004 (só a nível de bandeiras nos lares portugueses é que se registou uma subida). É que já não bastando o facto do estádio não estar lá muito composto, a malta só gritava alguma coisa (e nesse caso eram as pitas e as já não tão pitas) quando o Cristiano Ronaldo tocava na bola. A única vez que o público começou a apoiar Portugal em força na primeira parte, o Paraguay fez um contra-ataque exemplar que só faltou ter culminado em golo... Na segunda parte, senão fosse um puto de dez anos (sic) a puxar pela malta, ficava tudo calado. Ah, fez-se a Ola, mas num momento em que um jogador estava a ser assistido...
P.S. - Já agora, ganhámos 5-0 e espero que o Carlos Martins qualquer dia rescinda com o Sporting, para ver se vai para a Luz (ou mais remotamente, para o Portimonense...)!

quarta-feira, agosto 04, 2004

Somos uns plagiadores

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Já repararam que muitos dos nossos artistas inspiram-se sobremaneira em correspondentes internacionais? Estive a meditar sobre o assunto e cheguei a alguns paralelismos que gostaria de partilhar convosco: Toy = Tom Jones; Ágata = Bonnie Tyler; José Cid = Elton John (também pode ser Lady Godiva); Paulo Bragança = Boy George (se cantasse o fado); Adolfo Luxúria Canibal = Nick Cave; Rui Reininho = Ian McCulloch; Trio Odemira = Bee Gees; Jorge Palma = Neil Young (com mais piano é certo); Tentações = Spice Girls; Doce = Bananarama; Loto = New Order; André Indiana = Lenny Kravitz; Paulo Portas = Jean-Marie Le Pen; Dias da Cunha = a personagem Village Fool, dos Monty Python; O Emplastro = George W. Bush; O Hélder e o gordo da Praça da Alegria = os Village People; Herman José = Jay Leno (versão gay) Outras comparações que achem que teriam lugar nest post, é favor dizerem na caixa de comentários, que se foram válidas, eu transmitirei-as ao mundo.

terça-feira, agosto 03, 2004

Moztradamus...

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Todos nós sabemos que o Morrissey é um dos maiores génios da cena musical, mas chegar ao ponto dos seus textos terem vertentes quasi-cabalísticas também já um pouco exagero... Vejam como é que um gajo qualquer conseguiu fazer uma data de paralelismos entre as letras do Morrissey e a morte da Diana. Está um espectáculo...

E ainda

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Podia ter aproveitado o post anterior para desancar no Fernando Mendes, uma das figuras mais enojantes que pululam no nosso campónio showbiz, mas não fiz porque a camarada Romão, graças ao meu exemplo (olh'á modéstia!), criou um blog, cujo primeiro post é sobre essa figura com uma elevada TGS (Taxa de Gordura no Sangue). Portanto, vão ao Adesivo e leiam que vale a pena.

Actualidades dos media

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Tudo o que vai ser aqui dito, é fruto da passagem fugaz dos meus olhos (que vêm mal) pelas capas das revistas e pelo que me dizem. Eu sei que falar destas figuras é quase descer ao seu nível, mas tendo em conta que deverão ocupar as ondas hertzianas que vão dar às nossas televisões, não me posso abster. Primeiro, Tatiana Romanova (também conhecido por José Castelo Branco) vai ser um dos participantes de um novo Big Brother para semi-famosos. Para quê, porquê?! As crianças deste país vão ficar exposta àquela coisa sempre que a TVI decidir fazer daqueles pequenos contactos em directo à "casa do big brother"! Segundo. Ao que parece, Toy(no) e Gisela "um camião TIR é mais sexy" Serrano, vão apresentar um programa cujo tema base será o sexo. Agora, pensem. Tudo bem que os aspirantes a trolha e as aprendizes de cabeleireira vão delirar com o programa, mas é que nem pensando em hipóteses mais fortes de execução, que este programa irá ter algum jeito. Digo isto, porque se a SIC (quem teve a infeliz ideia de conspurcar as ondas hertzianas com o dono do Dick e a dona do Luís) apostar numa formato (muito) radical do programa, ainda assim uma cena pornográfica entre o Toy e a Gisela deve ser algo tremendamente abjecto...

segunda-feira, agosto 02, 2004

Mesa de cabeceira

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Livro actualmente em uso: Um risco na Areia, Manuel Tiago, Edições Avante, 2000

5 músicas para sacar (especial Manchester)

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The Smiths - This charming man/New Order - here to stay/Joy Division - She's lost control/Stone Roses - Waterfall/Buzzcocks - What do i get

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