segunda-feira, janeiro 30, 2006

A neve, o futebol e a música

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A saraivada de neve que assolou parte de Portugal Continental foi uma coisa boa pá. Desde os idos dias do Euro2004 que não se viu os portugueses com uma cara de felicidade parva (mas no bom sentido), com o "nevão" a chegar até à serra algarvia.

Só que eu (e mais uns quantos) não fui na peregrinação à Fóia (o ponto mais alto do Algarve), preferindo ir ver o jogo do Portimonense contra o clube de Valentimburgo. E em boa hora devia ter pegado no carro e seguir junto à maralha que ia estrada de Monchique acima para ver a neve. A neve já tinha visto, além de que acho que a dita cuja não ganha particularidades especiais quando atinge solo algarvio mas sempre seria melhor do que assistir à pior exibição do Portimonense esta época! Com uma data de "indiscutíveis" lesionados e castigados, o Diamantino teve que colocar em campo uma manta de retalhos em vez de uma equipa, que acabou levando 3 dos bimbos, não obstante termos marcado primeiro. E foi a primeira vez que vi uma arbitragem do piorio "live". Jogámos mal, mas o "shôr" Xistra fez o favor de nos roubar um penalti, deixar que Fernando Aguiar (sim, esse) marcasse um golo em fora-de-jogo, e não assinala-se uma falta sobre o Rui Ribeiro, aquando da marcação do terceiro golo nortenho. Mas honra (dúbia) que são eles quem merecem o maior quinhão da derrota

Ora, já na noite anterior as coisas não tinha corrida nada bem, quando o Benfica fez uma das mais desinspiradas exibições da época, perdendo por 3-1 com o clube que tem uma casa-de-banho como estádio. Shôr Koeman pá, tire o matraquilho que atende pelo nome de Beto e ponha o Manuel Fernandes. Lá porque ganhámos ao Man U com o gajo em campo, não quer dizer que ele seja a oitava maravilha futebolística. Lembrem-se do Erivan do Boavista...

Vá lá que se pode sempre pôr um CD a tocar e o enfado passa. Um CD ou então a pasta contendo o último albúm sacado. Que actualmente é "Thunder Lightning Strike" dos Go!Team, 11 faixas de festa, celebração e espírito positivo. Life goes on.


quarta-feira, janeiro 25, 2006

Carne para canhão

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O novo Skuhravy/Kirovski/Kmet/César Ramirez/Nalitizis/Spehar/Pinilla


Deve ter sido por isto que acordei mais cedo hoje

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Eu e o meu irmão em Londres, na rua que liga Whitehall aos Cabinet War Rooms. A nossa atenção é de súbito prendida por uma conferência de imprensa que Durão Barroso está dar, jovialmente, no edifício da esquerda. Fala em inglês e faz referências aos ditados que a sua mãe lhe ensinou, fruto da sua bagagem enquanto artista de casa de fados. De repente, um flashback leva-me para a Pedra Mourinha (subúrbio de Portimão), cerca de uns 30 anos atrás, onde Durão Barroso está quase a sair de casa, despedindo-se da sua mãe, que tem a cara pintada tipo Natália Correia quando estava na berra. A imagem passa para uma prova de karting numa pista construída no interior do autódromo do Estoril, estranhamente arborizado. Lá estão a correr Durão Barroso e Michael Schumacher, este num kart vermelho. Também em prova estão dois Nissan Patrol, um deles já com uns 20 anos em cima e com ar de que já fez pelo menos um Dakar. O condutor deste Patrol tem um chapéu daqueles à José Megre.

Será isto a consequência de ter visto os últimos quatro episódios da primeira época do "Twin Peaks" antes de me deitar? Parecia uma situação digna de Dale Cooper. O que terá acontecido a Dale Cooper? Serei eu o novo Dale Cooper?

Ahhhhhhhh!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A nova decoração do Palácio de Belém (V)

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Este é para a chapeleira do BMW presidencial


A nova decoração do Palácio de Belém (IV)

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A nova decoração do Palácio de Belém (III)

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A nova decoração do Palácio de Belém (II)

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A nova decoração do Palácio de Belém

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Mortes e nascimentos

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O Pastelinho é hoje formalmente retirado da lista de membros da "Seita". Porque há um substituto para eles.

Manuel e Miguel, bem-vindos de volta. Já faziam falta.


A era do bibelot e do naperon em Belém: o rescaldo da noite passada

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Ainda não fui a Portimão hoje, mas calculo muitos dos comercientes chineses que lá labutam devem estar a esfregar as mãos de contentes, com a chegada de Maria Cavaco Silva à posição de "primeira-dama". A partir de agora, qualquer visitante da residência oficial da figura máxima de Portugal será recebido por um par de dálmatas de louça, depois de ter limpo os sapatos em capachos com a expressão "bem-vindo" lá escrito.

Parece giro termos um casal portuguesinho a representar-nos, mas não é. Mas passemos aos factos de ontem à noite, candidato a candidato.

Comecemos pelo final. Garcia Pereira lá levou a sua candidatura até ao domingo de eleições, sem grande barulho e sem grande atenção por parte da comunicação social, algo grave depois da célebre barraca de não o terem incluído nos "debates" pré-campanha. Os 0.4% são mais do que justificáveis no quadro destas eleições, onde todos os campos da esquerda estavam arregimentados para votarem nos seus candidatos.

Francisco Louçã. O objectivo principal de Louçã e do BE era tentar suplantar Jerónimo e o PCP, tentando assim firmar-se como a segunda maior força de esquerda a seguir aos socialistas. podemos dizer que falhou rotundamente. E porquê? Porque ao contrário de Jerónimo, Francisco Louçã não consegue ter um discurso credível perante a arraia-miúda. O facto de andar em campanha há muito tempo, reflectiu-se sobretudo na última semana, onde já lhe faltam os dittos tão próprios da sua pessoa, mostrando ser mais um académico que tenta vir falar com a populaça, mas causa-lhe sempre estranheza tanta gente junta. Note-se que o BE, ao "emprestar" nomes como Joana Amaral Dias ou Ivan Nunes, continuou a sua política de aproximação ao PS, apra o que poder acontecer no futuro. Vergonhoso.

Jerónimo de Sousa é que se pode dar por contente. Ganhar a Cavaco infelizmente nunca conseguiria (mesmo se tivesse ainda proferido que acreditava ser ele o escolhido para uma segunda volta), mas cumpriu com a tarefa de dar um bailinho a Louçã e ao BE, além de aumentar ainda mais a sua popularidade entre os portugueses. A cada dia que passa, representa cada vez mais uma mais-valia para o PCP.

Este é o parágrafo dedicado a este filme. Só que ao contrário do malogrado George Burns, Soares não conseguiu entrar dentro dos corpos de Sócrates, António "Pinguim" Vitorino ou Jorge Coelho, subemtendo-se à terceira posição no escrutínio, ficando atrás do "candidato rebelde". Quem esfrega as mãos com a gula de poder do monarca do Campo Grande, é José Sócrates, que consegue retirar a Soares e aos seus apoiantes mais próximos eventuais pretensões dentro do PS. O Marinho já tinha o luagr mais do que reservado nos luagres de história, e o povo sabia disso. Não era necessário ter-se submetido a esta humilhação. Porque foi uma humilhação.

Por incrível que pareça, apetece-me nomear Manuel Alegre como o vencedor de ontem à noite. Não conseguiu chegar à segunda volta (o seu objectivo declarado), mas por outro lado alcançar um milhão de votos com uma estrutura erguida em três meses, sem estar ligada à algum partido, é obra. Apesar dos seus votos terem vindo sobretudo da esquerda, sempre foi a prova que um movimento apartidário poderá triunfar. Vamos lá a ver o que o PS faz agora com ele, e o que ele faz com o PS, já que ao ficar à frente de Soares, conseguiu escapar à "noite das facas longas" perpetrada ontem pela liderança do PS.

Bem, e Cavaco? Contra uma campanha preparada há dez anos, e o adversário mais válido a fazer as coisa à pressa nos ultimos três meses, não havia muito a fazer, não é?... É pena, pois os portugueses agora terão de se rever na figura política mais próxima mais sensaborona que o pós-25 de Abril conheceu. Um homem que prefere números às pessoas, tem medo de confrontar a comunciação social e que não se detém perante o uso da força e da ignorância vai ocupar o cadeirão máximo da nação. E nós vamos ter de aguentar cinco anos de Vivenda Mariani parte 2...


sexta-feira, janeiro 20, 2006

Everything but the Cavaco

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Hoje é o último dia de campanha para as eleições presidenciais (ó que novidade, dizem vocês...). Será o último dia em que os candidatos vão fazer arruadas, tentar beijar novas e só apanhar velhas, cometer gaffes perante a comunicação social e poluir o espaço público com uma última distribuição de panfletos.

E é nesta hora que se eu venha pedir aos poucos leitores deste blog que votem em tudo menos naquela coisa fabricada em Boliqueime. Boliqueime até é uma aldeia castiça, não merecia ter um filho daqueles. Mas o certo é que o filho do Teodoro da bomba chegou onde chegou e a muitos hipotéticos eleitores enganou com o seu parlapié de que é preciso um Presidente da República para combater a crise.

Se for para combate a crise económica, esqueçam. Apesar de já se ter denominado como um presidente "da estabilidade", Cavaco não mexeria uma palha para travar as acções económicas do governo, pois isso mexeria com a estabilidade do fraco mercado bolsista português, dando cabo do aumento dos lucros dos apoiantes da política PS e dos patrocinadores da candidatura cavaquista. Social? Se Cavaco é símbolo de abertura ao liberalismo económico, com a consequente degradação de todo o aparelho de protecção social de Estado e empresas, em que ponto é que nos poderíamos socorrer em caso de injustiças praticadas contra massa laboral, do presidente sisudo caso ele venha a ser eleito? Crise de identidade? Se assim for, porquê votar em Cavaco, quando só velhos jarretas e taxistas saudosos do tempo da "velha senhora" é que gostam de se rever nele? Só porque lutou na Guerra Colonial? Se for por isso, também Manuel Alegre... Onde está a portugalidade de Cavaco quando procedeu ao desbaratamento das empresas públicas em favor de um capital privado escolhido a dedo que já tratou de enviar parte desse capital adquirido para mãos estrangeiras?Um homem que tem medo de confrontar a imprensa e adversários deverá servir de exemplo a todos nós? Um cobarde frio e calculista?

É por isso que no domingo devemos actuar no sentido de não deixar este homem tomar o cadeirão de Belém. A escolha de candidatos é vasta, mas saliento só dois: Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa.

O poeta-deputado a meu ver, talvez seja aquele que melhor perfil tem para ser o presidente de todos os portugueses. Podem chamá-lo de comodista por uma carreira política que não teve momentos de auge como um Soares, um Gama ou um Guterres. Mas teve a coragem de dizer não à escolha destrambelhada do seu partido para estas eleições, partindo para a sua candidatura própria. E os estudos até agora realizados mostram que a aposta num movimento cívico para chegar à presidência da república é algo que tem pernas para andar. Julgando pela sondagem mais fiável de todas, a da Católica/RTP, Alegre fica à frente de Mário Soares, algo que muitos julgavam impossível, assumido-se como o candidato mais próximo de poder evitar uma vitória à primeira volta do monstro do bolo-rei. Como já disse, Alegre combateu na Guerra Colonial, desertou da mesma e partiu para o exílio, sendo parte activa na direcção da Frente Patriótica de Libertação Nacional, organização que transmitia, a partir de Argel, emissões radiofónicas que iam minando a credibilidade dos últimos anos da ditadura. É dos deputados mais antigos da Assembleia da República e não se amedronta perante os símbolos maiores da nação (alguém já viu Cavaco a recitar um poema ou falar credivelmente dos passado histórico português). Tendo em conta que o cargo é de representação e não de execução pura e dura, Alegre é de longe o melhor candidato para ocupar o lugar. É pois a sua postura frontal de certo que não permitiria, por exemplo, que uma venda de acções da Galp à ENI ou da EDP à Iberdrola passasse na maior pelas barbas e pelos púbicos dos portugueses.

Já Jerónimo foi aqui incluído sobretudo pela brilhante campanha protagonizada pelo candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV. Muito boa gente tenho eu visto a dizer que vota Jerónimo, que ele é que é, que diz a verdade, etc. . Algumas coisas não subscrevo, mas que Jerónimo tem feito uma excelente campanha, lá isso tem, conseguindo apagar um pouco da imagem do "bicho papão" comunista e mostrando uma faceta muito mais autêntica e próxima do cidadão do que o académico Louçã, o seu principal rival nestas eleições.

Ficaram aqui os meus pontos de vistas e sugestões para vocês. No domngo votarei Alegre. Quanto a vocês, recomendo-vos o mesmo voto no Alegre ou então no Jerónimo. Mas acima de tudo, façam um favor a vocês a próprios e não votem no Cavaco.


quarta-feira, janeiro 18, 2006

Moneytalks

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Excelente texto-síntese de António Barreto sobre as "ligações perigosas" dos governos PS com os grandes interesses económicos, além de abordar de uma maneira prática e eficaz a nossa relação actual com o vizinho espanhol.Esperemos que muita gente o leia.

Um obrigado ao Pedro A. por se ter dado ao trabalho de publicá-lo e divulgá-lo.


terça-feira, janeiro 17, 2006

O arrumar do bivoauc - os portugueses

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A edição deste ano do Dakar contou com a maior representação portuguesa de sempre, facto muito ajudado pela partida da prova a partir de Lisboa. Foram 27 pilotos, divididos entre motos, carros e camiões que tentaram chegar à capital senegalesa. E para não fugir ao espírito geral da coisa, uns chegaram ao fim, outros ficaram pelo caminho.

O grande destaque entre os portugueses vai para Hélder Rodrigues, uma das revelações na prova de motos. O piloto de Sintra participou pela primeira vez na prova, logrando alcançar desde logo um lugar no top-ten, assumindo-se como 2º melhor nas 450cc, melhor rookie e melhor não-KTM, com a Yamaha a ceder-lhe peças gratuitamente para poder manter esse estatuto face à Honda de Thierry Bethys. Os muitos títulos nacionais e as boas prestações no estrangeiro, na disciplina de enduro deixavam antever que Rodrigues não daria má conta de si no Dakar, espaço final nas carreiras de muito endurista, como Peterhansel, Magnaldi, Lalay ou Despres. Só lhe faltou uma vitória de etapa, mas também convenhamos que isso num primeiro ano não é forçoso, sendo essecial, isso sim, levar a moto até ao fim e conservar-se o mais inteiro possível...

Já Ruben Faria (35º), mesmo também estando na condição de estreante de Rodrigues (aliás, todos os motards portugueses, à excepção de Rodrigo Amaral, disputavam pela primeira vez o Dakar) não se inibiu nas duas etapas caseiras, alcançando um segundo lugar e uma vitória, tornando-se o 3º piloto português a conseguir tal feito nas motos, depois de Marques e Vilar. Chegado a Marrocos, ainda conseguiu manter o contacto com os pilotos da frente, mas uma vez chegado à Mauritânia, os seus parcos conhecimentos de navegação vieram ao de cima, juntando-se a isso a malfadada etapa para Atar, onde a embraiagem e caixa de velocidades entregaram a alma ao criador, juntando-se na lista dos infortunios mecânicos aos três motores partidos. É também nesta etapa que perde a companhia dos colegas de equipa Nuno Mateus e Ricardo Pina. Ainda assim, Faria não virou a cara à luta, e lá levou a sua KTM até Dakar, tornando-se o primeiro algarvio a terminar a prova.

Com menos menções no currículo ficou Paulo Gonçalves (25º). Mas isso não quer dizer que o piloto de Barcelos tenha feito uma prova má, antes pelo contrário. Quem recupera de 159º para 25º está sempre de parabéns, mostrando excelentes prestações na floresta maliana.

Mas apesar de todas estas narrativas, o motard português que mais brilhou na primeira semana em África foi Rodrigo Amaral, que teve de desistir em virtude de uma aparatosa queda na tirada para Atar, quando seguia entre as motos da frente. Quanto a António Ventura, único português a arriscar a ida de quad, ficou pelo caminho no final da primeira semana, depois do seu Bombardier não aguentar as agruras do deserto. Atenção, todos os motards já disseram que para o ano é para voltar! Assim seja, depois da boa promessa este ano.

Este foi também o Dakar que contou com o maior numero de portuguesas, embora no final tenha chegado só uma representante. Céu Pires de Lima fez das tripas coração e lá levou o Land Cruiser da Moletto Sport até Dakar, vingando a desistência de há nove anos atrás, não se abstendo de mutas vezes chegar de madrugada ao bivouac. E estamos a falar de uma senhora de 58 anos... Já as mais novas Madalena Antas e Elisabete Jacinto não tiveram a sorte pelo seu lado. A filha de Teresa Cupertino de Miranda teve uma prestação sóbria, que chegou ao fim na madrasta espeial para Atar, onde a Pick-Up inscrita pela Promotech decidiu não colaborar mais. Já a camionista-professora de geografia teve uma participação com muitos incidentes. Para começar, ficou logo atolada na lama alentejana da primeira etapa, para depois ficar bloqueada pelos dois camiões que capotaram na especial da serra algarvia. Bem atrasada na classificação geral graças a estes contratempos, Elizabete Jacinto foi ganhando posições atrás de posições, sendo constantemente o segundo Renault mais rápido no final das etapas, até que a destruição da ponte dianteira do seu Kerax na especial para Kiffa mandou-a mais cedo para o Montijo. Ainda assim, enquanto esteve em prova, mostrou ser sempre mais rápida que a outra senhora em prova, a italiana Luisa Trucco (que também não chegou ao fim).

E, tirando Carlos Sousa (já abordado no post anterior), o destaque maior terá de ir para a prova irrepreensível de Miguel Barbosa. Poderá não ter o talento inato de um Carlos Sousa, Filipe Campos ou um Rui Sousa, mas mostrou muita cabecinha na sua primeira abordagem ao Dakar, chegando numa 21º posição e contando-se como o melhor português "extra-Sousa". De parabéns também está o seu navegador Miguel Ramalho, pluri-camepão nos ralis e no TT nacionais, que não se deixou intimidar pelas muitas armadilhas, tendo muita "culpa"no brilharete de terem sido os melhores representantes da Nissan (num fraquinho X-Trail) na muito confusa penúltima etapa, fazendo 13º e ficando à frente de nomes como Peterhansel, Sainz, Sousa e Roma. Podem dar-lhe um carro mais potente (mas fiável) para o ano, que não desiludirá.

O segundo maior destque, a meu ver, vai para Adélio Machado. Para um piloto que não tinha disputado mais do que quatro provas de TT na sua vida, com a sua participação a parecer um mero capricho de endinheirado (quem é que se lembra da participação de José Manuel Megre nas motos?), emudeceu muita gente ao chegar num tranquilo 38º lugar, sem nenhuma penalização horária, trazendo o Land Cruiser da Moletto Sport inteirinho, tendo ainda o desplante de dizer que o ritmo era tão certinho que até dava para tirar fotos... Dentro da Moletto Sport, só quem não chegou ao fim foi Luis Costa, mas para o carro que tinha nas mãos até fez uma boa prestação. Pena foi que um pequeno excesso na etapa para Kayes o tivesse colocado fora de prova.

Dos três pilotos que tiveram coragem de alinhar a solo neste Dakar, Ricardo Leal dos Santos foi o único a chegar ao final, agradecendo á máquina de café e ao leitor de CD's que levava no lugar do navegador... E foi só o sexto piloto de sempre a conseguir tal feito!

De resto estão de parabéns todos aqueles que lograram chegar ao final da prova: Nuno Inocencio, que viu a sua prova quase comprometida no Algarve, onde não se livrou de uma penalização de quatro horas, aproveitando para fazer pequenos brilharetas nas últimas etapas; Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas num dos fiáveis Bowler, que fizeram uma prova sem mácula (à semelhança de Adélio Machado, sem quaisquer penalizações de tempo), mesmo sendo uma dupla sem muita experiencia no TT de estrada (pertenciam às competições de trial) e o trio de Land-Rovers Defender, os dois carros do Clube 4X4 Rodas e o da dupla açoreana Carlos Medeiros/Nuno Rosado, equipas estas que encararam a prova no mais puro espírito de aventura, tão próximo de Thierry Sabine.

Claro que nem tudo são rosas. Veja-se o caso de Pedro Gameiro que até perspectivava um lugar nos primeiros 15 quando chegasse a Dakar, e afinal viu-se e desejou-se para levar o Patrol até à capital senegalesa. No fundo, devia ter tido em conta a sua participação do ano passado com Bernardo Vilar e as suas reais capacidades. Não é por ter dinheiro para comprar bons carros que lhe vai dar o mérito de ser bom piloto... Por falar em Bernardo Vilar, também ele ao volante de um Patrol, voltou a ficar pelo caminho, sendo à altura da sua desistência o melhor português "extra-Sousa". O seu ex-camarada das rodas (e de cockpit no Dakar de 2004) Paulo Marques também não fez muito melhor figura, com a escolha do protótipo da Tot Corses, que tinha brilhado o ano passado pelas mãos de Ramon Dalmau, a revelar-se uma fonte de problemas, acabando por desistir a meio da prova.

Também pelo caminho ficaram Francisco Inocêncio, que teve a dúbia honra de ser o primeiro português a desistir (quando até era o melhor "extra-Sousa") com um despiste digno de aparecer nos ecrãs de televisão (ou melhor, os restos mortais do Pajero....) e Rui Benedi (nem se deu por ele).

No geral, muita semente foi lançada para participações futuras, com muitos dos estreantes a mostrarem que poderão fazer ainda mais nas próximas edições. e seria giro que nomes como Luis Serra e Mário Patrão (nas motos) e Rui Sousa, Filipe Campos e Miguel Farrajota (automóveis) se juntassem ao pelotão actual. E uma última coisa: já somos a 3ª nação mais representada no Dakar!


segunda-feira, janeiro 16, 2006

O arrumar do bivouac

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Findou ontem, em regime de festa contida, a edição deste ano do Dakar. Aqueles que lograram chegar ao fim, comemoraram o feito. E entre aqueles que não o puderam, muitos deverão estar a pensar como levar a melhor sobre o deserto no próximo ano.

Esta edição foi das mais competitivas dos últimos anos, pelo menos no que diz respeito à classificação dos automóveis. O vencedor foi o Luc Alphand ao volante do grande Pajero Evo, um dos melhores veículos de sempre inscrito na prova, tendo realizado uma prestação com muita rapidez e argúcia. O curioso é que o ex-campeão mundial de ski somente logrou alcançar a vitória na dupla etapa maratona, onde herdou a liderança, depois do anterior líder, o seu colega Stephane Peterhansel, ter batido contra uma árvore e ter-se atrasado irremediavelmente. O certo é que "Peter" ainda logrou levar o seu Evo à 4ª posição final. De facto, a Mitsubishi voltou-se a mostrar irrepreensível na abordagem da prova, com Dominique Seryies e seus pares a conseguirem deixar o isco do ataque inicia para a VW, dando a estocada mortal na Mauritânia, onde Alphand e Peterhansel se destacaram do resto da concorrência. Já nesta altura não contavam com o apoio de Masuoka, que ficou logo na segunda etapa africana, mas tiveram Nani Roma(3º) sempre a rodar com os primeiros. Talvez para o ano não ficasse mal vencer as pressões da casa-mãe e substituir Masuoka por um piloto mais fiável (Chicherit?, Magnaldi?).

Dizer que a VW foi a grande perdedora deste Dakar é algo forte, tendo em conta a (não muita) experiencia da marca alemã na prova. Mas se também tivermos em conta o facto de que os alemães se declararam como candidatos à vitória, então falharam no seu obejctivo. Com um esforço muito maior que a Mitusbishi, inscrevendo 5 Race Touraeg's (e contando com o Race Touareg privado de Henrard para o que desse e viesse, como vieram a agradecer Saby e Sainz), contra 4 Evo's, com uma estrutura de assistência digna de assisitir uma cidade chinesa em caso de sismo de grau 7 na escala de Richter, e um conjunto de pilotos maior a nível de quantidade e qualidade em relação ao ano passado. Assumindo a despesa da corrida até à entrada na Mauritânia, foi em pleno deserto que se viu que ainda falta algo à VW para bater a Mitsubishi no Dakar. Ainda assim, só um dos Race Touareg's oficiais é que não conseguiu atingir Dakar, o da dupla feminina Jutta Kleinschmidt/Fabrizia Pons, depois de terem dado um valente toque na etapa para Bamako. Dos sobreviventes destaque para Giniel de Villiers a assumir-se mais uma vez como o "salvador da pátria", papel que já tinha desempenhado aquando da sua estadia na Nissan nas últimas duas épocas, terminando em segundo. O americano Mark Miller, chamado à equipa na perspectiva de poder dar uma maior exposição à VW e à Red Bull no mercado americano, mesmo na condição de estreante na prova, não se intimidou, rubricando prestações bem rápidas mas com cabeça (ao contrário do seu antecessor na equipa, Robby Gordon), terminando na 5º posição final e consagrando-se como o melhor rookie. Os outros dois carros foram bastante afectados por problemas, com Bruno Saby (8º) a atrasar-se irremediavelmente na etapa para Atar (Mauritânia) e Sainz a atrasar-se consideravelmente por duas vezes, sobretudo na etapa para Nouakchott, em virtude de mazelas provocadas por pancadas mais fortes, que necessitavam a presença do pessoal dos camiões de assistência. Ainda assim, o espanhol termina o seu primeiro Dakar na 11º posição e com a consolação de ter sido o piloto com mais vitórias em etapas (4). Apesar do desaire, a VW tem uma excelente base para continuar a tentar a vitória no Dakar, que já esteve mais longe. Fica uma sugestão para a malta de Wolfsburg: que tal deixar o director desportivo da marca, o dinamarquês e ex-piloto de velocidade Kris Nissen nos escritórios da Alemanha no ano que vem, e ter no terreno a dirigir a equipa, nada mais nada menos que Jutta Kleinschmitdt? É que estar a correr com 3 "pontas-de-lança" (Jutta, Sainz e De Villiers) é algo perigoso em termos de disputas dentro da equipa ... Assim, manteriam Sainz e De Villiers, Miller como elemento surpresa e Saby como "aguadeiro", ficando Jutta a dirigir a operação no terreno, já que não lhe falta conhecimento quer da prova, quer do carro.

Quanto a restantes destaques, há que falar no Team Schlesser, na X-Raid/BMW e em Carlos Sousa.

Apesar de só conseguir um 6º lugar final, Jean-Louis Schlesser está de parabéns pois conseguiu apagar a péssima imagem deixada pelos seus buggys, quando estes desistiram mal tinham entrado no deserto. O experiente Schlesser (56 anos) conseguiu ganhar uma etapa, com o seu novo pupilo a conseguir ganhar duas etapas. De facto, Theirry Magnaldi (10º) foi uma das boas supresas da prova, e só uma penalização de uma hora em virtude de problemas na etapa para Kayes, é que lhe retirou a possibilidade de ter terminado em oitavo.

Já na BMW, foram todos vítimas da juventude do novo X3CC. Bem, nem só da juventude, pois se se anda com o carro muito perto ou para além dos seus limites no Dakar, o mais certo é a desistência concretizar-se. Foi o que se passou com o líder da equipa, o qatariano Nasser Saleh Al-Attiyah, que mais uma vez mostrou demasiada fogosidade para o que era requerido, vindo a abandonar a prova. A principal figura da equipa passou então a ser Guerlain Chicherit (9º), no seu segundo Dakar e somente com 27 anos de idade, que pautou a sua prova por uma tremenda regularidade, atacando mais nos últimos dias depois de ter uma maior "mão" no carro, conseguindo mesmo obter a vitória na ultima etapa cronometrada desta edição. Um futuro muito radioso espera esta jovem francês no Dakar, não sendo nada descabido se Mitsubishi ou VW o "roubassem" à estrutura de Sven Quandt. Já Alfie Cox (15º), mais experiente, mas devido às suas particpações em moto, ficou atrás do seu colega de equipa, sendo deveras afectado pelo problemas de juventude do X3.

Last but not the least, Carlos Sousa. Com o carro menos desenvolvido do top-ten, o piloto de Almada logrou chegar em sétimo a Dakar, tendo feito uma corrida muito certinha, sabendo evitar as artimanhas do percurso, com as suas melhores prestações a coincidirem com a entrada na Mauritânia. Convém não esquecer que Mitsubsihi, VW, BMW e Schlesser pasaaram o ano a dar voltas no deserto, enquanto que a Nissan Navarra ex-De Villiers esteve encostada a um canto nas oficinas da Dessoude, só ganhando um novo maping electrónico e um pequeno rearranjo nas suspensões. A Carlos Sousa poderá ser imputada a sua falta de rodagem competitiva, só tendo participado na Baja de Portalegre, o que deixou com um menor rimto competitivo face aos seus adversários. Mas pronto, aprende-se com os erros... Esperemos é que para o ano o cometimento da Nissan seja maior, senão Sousa ver-se-á forçado a aceitar o convite de Robby Gordon para guiar um segundo Hummer (aliás, Sousa já recusou o convite...)

Nas motos, o primeiro lugar foi para o chefe-de-fila da KTM-Repsol, o catalão Marc Coma. Com uma regularidade desarmante (nunca ganhou uma etapa, mas nunca também acabou abaixo de 6º), saltando para a liderança ainda em Marrocos para nunca mais a largar. O seu maior adversário foi o vencedor da edição do ano passado, Cyril Despres. O francês viu-se afastado da luta depois de uma queda que o deixou com uma luxação de grau 2, que vei juntar-se a uma tendinite que se começou manifestar em Marrocos. Merece tanto destaque como Coma, pois não cedeu às dores, pois como concorrente que já conheceu participações fora de estruturas oficiais, perseguiu o objectivo de chegar ao fim, ideia principal de quem inicia esta prova.

A maior oposição a Coma depois da queda de Despres veio de Isidre Esteve Pujol na outra KTM-Gauloises. Contudo, uma queda na especial para Kiffa (a mesma onde faleceu Andy Caldecott) deixou fora da corrida, tendo até de ser evacuado de helicóptero acrescentando um traumatisco craniano e uma ruptura de baço no currículo. A partir daqui, Coma praticamente só teve de levar a moto até final.

De resto, à excepção da malta das motos oficiais, há que destacar o brilhante segundo Dakar de Chris Blais (4º), com o americano a prometer vôos ainda mais altos para edioções vindouras, Alain Duclos (7º) a ser o 1º entre as 450cc, ganhando ainda a etapa de Bamako, cidade onde nasceu e Hélder Rodrigues (9º), melhor estreante, melhor não-KTM e melhor português, Janis Vinters (10º) e Jonah Street (17º). A ficar também debaixo de olho: Jordi Viladoms e Paulo Gonçalves.

Por fim, nos camiões, Vladimir Tchaguine conseguiu o seu 5º triunfo, tendo liderado a prova de fio a pavio no seu Kamaz. A maior oposição veio do seu colega de equipa Firdaus Kabirov (3º) e, não os Tatra de Loprais e de Azevedo e o Hino de Sugawara, o surpreendente Hans Stacey (2º) num MAN. Pela negativa, o ocaso de Loprais e a desastrosa participação da Iveco, mesmo com "pesos-pesados" como Massimo Biasion e Markku Alen.

E para o ano (felizmente) há mais. esperemos que consiga ser uma prova ainda mais competitiva que a deste ano.


Novos links a dar com a época

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Tudo moços bem intecionados. Juntemo-nos a eles nesta hora que se afigura triste para a democracia portuguesa. Até dia 22 há esperança!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Sacado ontem

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Um amigo meu dizia-me que estes moços eram uma cópia de Interpol. Não faz muito mal, já que os Interpol uma banda que merece que seja retirada a cera dos ouvidos . Mais preocupante era o facto do Miguel Ângelo dos Delfins louvar o albúm. Isso já me colocou bem de pé atrás.

Enganem-se aqueles que pensam encontrar faixas do género do "Sou como o rio" ou "Não sejas silly...Silicone!". "The back room", albúm de estreia dos britânicos Editors não foi de certeza gravado sobre a influência da baída de Cascais ou a dar alento a bandas como os Santos e Pecadores. Tal como me tinham dito, o vínculo aos Interpol está lá, mas sobretudo pela voz de Tom Smith se parecer muito à de Daniel Kessler. Mas se Matt Bellamy ou Chris Martin gostariam um dia de ser Thom Yorke, este habitante de Birmingham não pode aparecer um nadica parecido ao seu congénre americano?

Catalogado pelos gurus da critica na corrente actual que bebe a sua influência no pós-punk dos anos 80 (talvez o período de ouro do indie), não renega as suas origens, sendo agradevelmente negro. Isto é, as letras são tudo menos hinos à vida e à alegria, mas é tudo feito com o savoir faire de nos por a dançar as angustias que perspassam nas canções... O que é bom. Atenção que este é um "negro" não na mesma esfera de um Joy Division ou da iconoclastia de uns Bauhaus. A haver alguma banda com algumas ligações aos Editors nos idos 80, seriam os manchesterianos Chamaleons.

Eu deixo uma palavra de apoio a Tom Smith e sus compañeros. Continuem porque desenrascaram-se bem. Queremos mais um disco em que o parecer desgraçado é agradável e dançável como este!

Guitar God

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quarta-feira, janeiro 11, 2006

Sempre quis dizer isto

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Jutta Kleinschmidt, a rata mais arisca do deserto

P.S. - Curiosamente, problemas na direcção do seu VW Race Touraeg obrigaram-na a ficar parada no início da especial de hoje, encontrando-se ainda nessa situação. O que sempre dá para Carlos Sousa galgar mais um lugar na classificação!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Será que a blogosfera está a ficar seca de ideias?

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Será Victor Laszlo um alter-ego de Nuno Costa Santos? Ou terá este que pagar uma indemnização a Laszlo por causa desta posta tardia, pelo menos em relação a esta congénere?

segunda-feira, janeiro 09, 2006

CdB - o Regresso!

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Estes moços voltaram à actividade. Which is rather nice.

Vôvô bilu bilu aviãozinho puá puá zzzzz!!!

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É por estas e por outras que nem me passa pela cabeça votar no Soares:

Jornalista: «Ficou chocado com o que disse o líder do PP?»

Mário Soares: «Não. Não foi o líder do PP que disse isso... aquela coisa a que eu me referi, do terrorismo, foi o líder do CDS que disse. O Dr. Ribeiro e Castro, que é uma coisa inaceitável e impossível... ele diz aquilo... ele é, ainda por cima, deputado do Partido Socialista... um dos grandes grupos do partido socialista é o partido socialista... é o partido socialista europeu... imagine lá como é que ele vai entender-se com os colegas de parlamento a dizer dessas coisas no plano interno!... e é feio, não é bonito... e é uma pena...»

E se clicarem no link, aproveitem também para ler a autobiografia de Manuela Ferreira Leite.


O economista que engoliu um pau de vassoura

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Ontem, ao telefone com o ilustre camarada Zé, chegamos a um postulado interessante:

A arraia miúda deixa-se levar pela propaganda cavaquista, através da cantiga "O país está mal a nível económico, e o que nós predisamos é de um presidente que perceba de economia!". Mas qual é um dos mais importantes factores que a economia precisa para se desenvolver? Exacto, estabilidade. E como é que pode haver estabilidade no mercado bolsista se houver uma contínua fricção entre governo e PR? Cioso defensor da economia de mercado, Cavaco nem irá pensar em realizar qualquer acção que possa prejudicar os seus maiores apoiantes...

Daí que podem ir já pensando se devem votar Alegre ou Jerónimo...


Andy Caldecott (1964-2006)

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Image Hosted by ImageShack.us Foto de Rui Fonseca

Já há cerca de um ano tinha dado uma notícia destas. E hoje repete-se o mesmo tipo de negra novidade. O motard australiano Andy Caldecott, piloto da equipa KTM Repsol, caiu ao Km250 da especial de hoje, falecendo de imediato.

Caldecott participava pela terceira vez no Dakar, vindo auroleado com uma excelente exibição no ano passado, aos comandos de uma KTM privada. Dificuldades financeiras quase que o iam afastando do Lisboa-Dakar, mas uma queda durante os preprativos para a prova de Jordi Duran, um dos pilotos da KTM Repsol, fez com que Jordi Arcarons chama-se o australiano que tão boa imagem deixou na edição passada, para substituir o jovem catalão. Ao menos a imagem que deixou, foi de alguém apreciado pelos seus pares e que fazia por andar depressa (chegou a ganhar uma etapa na edição deste ano).

RIP Andy


domingo, janeiro 08, 2006

Reflexões no dia de descanso

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A esta hora, quase todos devem estar nas suas tendas a preparar os últimos detalhes da navegação, em cavaqueira com outros camaradas aventureiros, ou simplesmente tentar que o sono lhes bata à porta o mais cedo possível, para poderem ganhar o de máximo forças para enfrentar a derradeira semana da competição que (talvez) os irá levar a Dakar. Um número mais pequeno de pessoas deverá estar agora de voltas das máquinas, uns a tentarem resolver de vez as avarias que se vêm acumulando na última semana, a tentar endireitar aqueles pedaços de chapa demasiado modificados por incidentes de percurso, ou mesmo colocar novos autocolantes de patrocinadores. Enquanto isso, a organização última os preparativos para o procedimento de largada, para que a primeira moto possa sair às 06.25 da matina, em direcção a Kiffa.

Os concorrentes que restam devem ter reflectido sobre aquilo que se passou nos últimos dias e o que virá a seguir. Um dos que terá mais pensado hoje deve ter sido o campeão em título das motos, o francês Cyril Despres, a contas com uma tendinite no pulso direito, e um ferimento de 2º grau no ombro, em virtude de uma queda. Até já teria desisitido, tendo em conta as dores que as lesões lhes provocam, mas Despres não se escusou a alinhar na etapa de sábado, pois pretendia fazê-lo para assim poder honrar a memória de Fabrizio Meoni, o duplo vencedor nas motos que faleceu na mesma especial no ano passado e ex-companheiro de equipa de Despres. E em boa hora o fez, pois numa demonstração de preserverança e de habilidade de navegação, conseguiu chegar em 3º na etapa, oferecendo a vitória na etapa ao seu "mochileiro" David Casteu, conseguindo ganhar alguns minutos aos espanhóis coma e Esteve Pujol. Mas acima de tudo, este acto de Cyril Despres mostrou que este é o espírito com que se deve encarar esta prova. Não estamos a falar de um GP de F1 ou de um rali do WRC, onde desistindo numa prova, ainda podemos ir buscar pontos no evento seguinte. O deserto lança o desafio ao concorrente. Se este for fraco, desiste. Se for forte, prossegue e tenta atingir Dakar, o obejctivo primário desta competição. É por isso que o que Despres fez deve ser considerado um exemplo para todos.

Com isto tudo, quase que a luta pela classificação geral passa para segundo plano, o que não deixaria de ser muito injusto. Sim, já que esta edição está a ser altamente competitiva, apesar de estar agora reduzida a Marc Coma (KTM-Repsol) e Isidre Esteve Pujol (KTM-Gauloises), com seis minutos a seprarem os dois catalães. Mas o que é que são seis minutos numa prova que tem 5000 KM? Coma parte com a vantagem da classificação e de poder contar com um melhor apoio dos seus colegas de equipa De Gavardo e Sala, embora Cyril Despres deva passar, em virtude da sua condição física, para um papel mais auxiliar a Esteve Pujol, compensando um pouco a "verdura" dos outros membros da equipa, David Casteu e Michel Gau. O resto do "top-ten" é ocupado pelos outsiders "do costume", com o 1º "não-oficial" a ser o regularíssimo norueguês da KTM verde, Pal-Anders Ullevaseter na 6º posição, com Chris Blais (Red Bull KTM) em 8º, o franco-maliano Alain Duclos em 9º e o australiano Andy Caldecott (que conta com algum apoio da estrutura da KTM Repsol) em 10º. A melhor "não-KTM" está em 12º, a Honda F450 de Therry Bethys.

Atrás de Bethys, está Hélder Rodrigues, melhor representante da Yamaha e de Portugal na prova, pelo menos até agora. O piloto de Lisboa está a fazer uma prova excelente, tendo em conta a máquina de que dispõe e do facto de ser a primeira vez que tenta chegar a Dakar, chegando a rubricar 2 4º lugares nas etapas portuguesas e um 6º precisamente na última especial. O papel de melhor português tinha passado antes por Ruben Faria e Rodrigo Amaral, que entretanto já tiveram a sua dose de contratempos. O piloto de Moncarapacho tornou-se no 3º português a vencer uma etapa do Dakar ao triunfar na 2ª etapa, ainda em solo algarvio, não comprometendo nas etapas marroquinas, onde chegou mesmo a fazer um espectacular 4º lugar na especial que ligava Ouarzazate a Tan Tan. Todavia, a Mauritânia não tem muita dó dos estreantes que não tem muitas "luzes" de navegação, o que acrescido a sérios problemas de embraiagem, atiraram o piloto para a actual 67ª posição. Já Rodrigo Amaral estava a realizar uma prova de alto nível, quando uma queda na entrada na Mauritânia destruiu a sua moto e obrigou-o a desistir. Quanto aos restante portugueses inscritos na competição destinada às motos, um continua em prova (Paulo Gonçalves) enquanto os algarvios Nuno Mateus e Ricardo Pina e o quadista António Ventura já ficaram pelo caminho.

Nos automóveis, Peterhansel, Alphand e a restante trupe da Mitsubishi devem ter feito um pequeno sorrisinho de escárnio quando viam algo ou alguém ligado aos seus rivais da VW no acampamento de Nouakchott. Quando parecia que os Race Touraeg estavam num patamar acima dos Pajero Evo, não houve nada melhor que uma boa jogada táctica para colocar as coisas no sítio. Ao permitirem que os VW e os Schlesser se sobrepussessem a si para a partida da etapa com destino a Atar, e com uma diferença mínima de tempo na classificação geral, Peterhansel e Alphand só tinham que limitar-se a apanhá-los e seguir com eles. Mas como ambos são coadjuvados por duas "raposas do deserto", passaram para a frente, ganhando a etapa e fazendo com que Alphand saltasse para a liderança sendo seguido por "Peter". E ontem foi a machadada final da Mitsubishi, no que diz respeito à 1ª metade da prova, com Peterhansel a saltar para a liderança, ficando Alphand a 32 segundos, com o 1º VW, o de De Villers, a estar a 26 minutos. De facto, a VW teve dois dias para esquecer na sexta e sábado, com Saby a atrasar-se irremediavelmente, Sainz (até aqui a fazer uma grande prova de estreia) a debater-se com problemas que o obrigaram a esperar pelo camião de assistência e Mark Miller a arriscar demasiado num salto, deixando Jutta Kleinschmidt e Giniel De Villiers como os únicos representantes da VW com algumas hipóteses de alcançar a vitória. De salientar que a Mitsubishi só conta com Roma para poder ajudar "Peter" e Alphand, já que Masuoka tratou de capotar o seu Pajero Evo na segunda especial marroquina, sendo obrigado a desistir.

Quanto aos "outsiders" de luxo, os buggys de Jean-Louis Schlesser estão a demonstrar uma melhor forma que no ano passado, com o chefe da equipa a ganhar uma etapa e a nova aquisição Thierry Magnaldi a ter ganho as suas duas primeiras etapas em automóveis. Contudo, o facto de só disporem de dus rodas motrizes tem inibido maiores vôos da equipa Schlesser nas etapas mais arenosas. Magnaldi segue em6º e Schlesser em 7º. Quanto aos BMW X3 da X-Raid, a sua juventude tem vindo ao de cima com Nasser Saleh Al-Attiyah e Alfie Cox a serem vítimas de atraso na classificação devido a problemas com as novas máquinas da equipa de Sven Quandt. O BMW melhor classificado é o do jovem Guerlain Chicherit na 11º, que confirma a aposta de Quandt num piloto tão jovem para prova que exige muita experiência (o 1º Dakar de Chicherit foi o ano passado...).

No que diz respeito àqueles que têm menos meios que todos os outros atrá mencionados, o melhor classificado é o "nosso" Carlos Sousa com a sua Nissan ex-Giniel De Villiers. Apesar do handicap do pouco ritmo competitivo desta época e da notória falta de competitividade da Nissan em relação às equipas atrás mencionadas, o piloto de Almada tem cumprido com a sua tarefa, aproveitando todos os deslizes dos "grandes" para ir gradualmente galgando lugares na classificação geral, ocupando agora o 9º lugar. Ainda poderá subir mais lugares na etapa de segunda-feira, já que o ponto forte do português são as etapas mais longas, sendo um dos pilotos com melhor ritmo do plantel. De sublinhar também a prestação de Mathias Kahle no Buggy Honda que Magnaldi levou à 10º posição no Dakar do ano passado, ocupando nesta altura a mesma posição, e (mais uma) primeira posição entre os TT de série para Jean-Jacques Ratet e o seu Toyota.

A comitiva lusa nos automóveis, à excpeção de Sousa, é que não tem tido grande sorte, havendo já lugar a algumas desistências, como foi o caso de Pedro Grancha, Francisco Inocêncio (por obra e graça de um espectacular capotanço), Hélder Olveira (problemático desde as etapas portuguesas), Madalena Cupertino Antas e Rui Benedi. Quanto aos sobreviventes, o melhor é o estreante Miguel Barbosa, "posto" que assumiu na última etapa, ficando agora um lugar à frente de Bernardo Vilar e de Luis Costa (a fazer uma boa estreia com o traquejado Land Cruiser da Moletto Sport). Outros têm tido vários problemas como Paulo Marques, Pedro Gameiro ou Nuno Inocêncio (que consegui ter a proeza de ser o 1º piloto a totalizar quatro horas de penalização, fruto de problemas com o Pajero da Red Line Offroad Team). Uma saudação aos malucos dos Land-Rover Defender, a dupla açoriana Medeiros/Rosado e os dois pilotos do Clube 4X4, que têm conseguido levar carros (que de competição só têm o roll-bar...) a bom porto, e a Ricardo Leal dos Santos, único piloto "solo" que ainda está em prova.

Por fim, mas sem que isso represente demérito, a malta dos camiões também deve ter aproveitado o dia de descanso para pensar nas agruras que passaram, e nas que ainda lhes faltam encontrar. sim, porque conduzir aqueles "bisontes" em dunas de areia mole é um calvário assegurado, com a participação especial de pás e placas de desatascanço. O próprio líder de prova, o russo Tchaguine, sabe bem isso pois a vantagem de duas horas que já tinha sobre os demais perseguidores esfumou-se para os actuais 30 minutos sobre o companheiro de equipa na Kamaz, Firdaus Kabirov, tudo por obra e graça de dois monumentais atascanços. Ainda assim a vitória nos camiões não deverá fugir aos camiões azuis e brancos, com a maior concorrência a vir, algo surpreendentemente, do MAN do holandês Hans Stacey. Surpresa, mas negativa tem sido a prestação dos Tatra, com Loprais a ser uma sombra dos dias em que era o grande dominador nos camiões, e André de Azevedo a não conseguir brilhar no Tatra patrocinado pelo Petrobrás, e também o Hino de Yoshimasa Sugawara, pela primeira vez em muitos anos arredado dos 5 primeiros. Mas desatre mesmo foi a participação oficial da Iveco, com os três Eurocargo de Biasion, Alen e Pep Vila a terem já abandoando a prova. Elisabete Jacinto está a ter uma prova com algumas vicissitudes sendo o 2º camião com mais horas de penalização. Se não fossem estas, a piloto-professora estaria agora 28º em vez do actual 38º lugar. Mas se o Dakar fosse feito de ses, então praticamente todos os pilotos chegrariam ao fim...

Bem, à hora que acabo esta posta, já todos os concorrentes devem estar a dormir, com os primeiros despertares a acontecerem daqui a umas cinco horas. Boa sorte e muita perícia a todos. Que o máximo possível destes bravos consiga ver o Lac Rose!


sexta-feira, janeiro 06, 2006

Ou como na hora da morte passamos todos a gajos porreiros

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Lá para a Palestina ocupada, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Aharon está entre a vida e a morte, muito por obra de 3 AVC's e um excesso de pita shoarmas. E é nesta hora de despedida do poder, e quem sabe, da vida, que olhamos para o velho falcão hebreu e deparamo-nos como um homem que se tornou numa espécie de paradoxo. Ou então não, tendo em conta as circunstâncias dos seus últimos anos enquanto governante-mor do estado de Israel.

Até ao início da actual Intifada, Ariel Sharon era visto como um dos membros hardcore do partido Likud, organização de centro-direita, e a par do Partido Trabalhista, uma das maiores forças políticas de Israel. Aliás, é o próprio Sharon que vai despoletar a 2ª Intifada, ao visitar a Esplanada das Mesquitas em Jerusalem em Setembro de 2000, causando a ira dos muçulmanos por estar a pisar solo sagrado islâmico. Esta seria a última grande provação antes de chegar ao poder, depois de se assumir como um miltar duro nas guerras dos 6 Dias e do Yom Kippur e, sobretudo, como um dos responsáveis dos massacres de Sabra e Shatila, aquando da ocupação do Líbano por forças israelitas, nos anos 80. O início da 2ª Intifada enfraqueceu de tal forma o governo trabalhista chefiado por Ehud Barak, que este se viu obrigado a resignar, passando o poder para as mãos do Likud, chefiado por Sharon. E é a partir daqui que o antigo Aluf se vai transformar num paradoxo. O velho falcão de guerra manteve a sua reputação ao insistir na necessidade da morte de Arafat (que se calhar veio-o a conseguir por meios mais escuros...), na construção do ignominioso muro que separa os territórios palestinianos de Israel ou os massacres perpetrados nos campos de refugiados palestinianos. Mas por incrível que pareça, nos últimos anos também deu um grande empurrão ao processo de paz, ao ditar o abandono dos colonatos de Gaza, medida que lhe valeu os apupos da direita israelita e a ira dos agora ex-colonos. Ariel Sharon devia estar tão diferente que um opositor de sempre se juntou a ele nos ultimos anos, Shimon Peres figura-mor dos trabalhistas e um dos arquitectos dos Acordos de Oslo. Juntos, decidiram em Novembro último criar o Kadima (força em hebraico), uma espécie de bloco central com um assumido compromisso com o estabelecimento da paz naquela região tão tumultuosa.

Mas os recentes acontecimentos clínicos retiram Sharon da cena política. E o engraçado (ou talvez não) é que a saída de cena de Sharon tem algumas semelhanças com a de Salazar. Ambos tiveram um primeiro AVC, mas voltaram ao poder, mas rapidamente sofreram outras complicações de saúde, que os afastou.

Só que há uma pequena diferença. Salazar nunca se tentou redimir dos seus erros, Sharon sim.


Elogios

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Ontem, através da miha prima, soube que x acha-me pessoa com sentido de humor muito próprio. Tendo em conta que os Malucos do Riso e os Batanetes batem recordes de audiencia, entendi-o como um elogio.

Notícia bizarro-macabra à la Correio da Manhã (e que até veio neste pasquim, por acaso)

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Mulher da Aldeia do Carrasco (Portimão) foi morta enquanto estendia a roupa na corda, por uma dentada do próprio cão, que a atingiu no pescoço, matando-a no momento .

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Lisboa-Dakar@Portimão

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quarta-feira, janeiro 04, 2006

Lisboa-Dakar@Portimão

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terça-feira, janeiro 03, 2006

Lisboa-Dakar@Portimão

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