Quinta-feira, Abril 06, 2006

Frankly Mr.(s) Shankly(ies)

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Raios partam os editores de conteúdos audiovisuais. É que á primeira vista poderão parecer as grandes vítimas da actual onda P2P, mas não serão eles os causadores? Não são eles que pedem uma exorbitânica por um CD ou um DVD? É que custos de fabrico não são significativos, com o CD a ser um produto muito mais barato que produzir que o vinil, e no entanto isso não representou uma descida dos preços! Porque é que não lutam para o governo baixar o IVA dos CD's e DVD's para os 5%, como já acontece com os livros? Que eu saiba, os suportes audiovisuais também são veículos de cultura (claro que, se uma pessoa insiste muito neste ponto, o governo aumentará o IVA dos livros, isso sim...). Alguém me explica porque é que num país com um nível económico como a Grã-Bretanha, um CD recém-lançado custa 15 euros (como promoção de lançamento), enquanto que em Portugal, e na mesma situação, custa 16.95?? É que apesar tudo, é uma diferença de dois euros entre dois países cuja diferenciação salarial e custo de vida é bastante acentuada.

E os artistas também não podem falar muito nesta matéria. Hoje em dia, a internet é bastante mais importante que as rádios, no que diz respeito à divulgação musical. As emissoras na sua maioria estão cingidas ao formato de playlist emanado pelos seus conselhos de administração, por sua vez levados a escolher as opções musicais através das "ofertas" mais generosas das editoras. Daí que uma pessoa que preze ouvir boa música, não irá escutar uma RFM, Rádio Comercial ou RCP. Aliás, os artistas que se poderão mais queixar são os já estabelecidos, já que a rápida difusão pela internet (através de espaços como o MySpace, RadioBlogClub ou os vários servidores P2P) leva a maior propagação de novas bandas que possam ameaçar o estauto de muitas já alcançadas (o que seria um grande favor em muitos casos...). Lembra-se da telenovela Metallica vs. Napster?

E depois outra coisa bem importante: o perfil daqueles que praticam a pirataria. É que há diversos subgrupos entre os piratas. Há aqueles que ignorantemente preferem uma cópia sacada na net do filme que acabou de sair nas salas, ficando basbacamente orgulhosos por serem possuidoros de uma cópia gravada num cinema com pessoas a levantarem-se a meio do filme, passando pelo foco da Digicam ou com telemóveis a tocar. Ou que então dizem que já têm o último disco dos U2, dos Maroon 5 ou da Mel C só para dizerem que já têm a última música do mercado (que acaba por ser tão oca quanto eles).

No fim da escala estão aqueles brutinhos como eu que preferem ver um filme no cinema do que em casa (mesmo que tivesse um brutal LCD na sala), e que utiliza o P2P mais para conhecer música do que para simplesmente sacanear os músicos. Aliás, o único gozo que poderá vir desta acção será o de sacanear as editoras, as grandes reponsáveis pelo estado actual das coisas! Eu digo e afirmo, discos actuais eu não os compro, porque os preços são demasiado elevados! Como é que eu me consigo por a par com as novidades que realmente interessam (riscar aqui as bandas que passam nas rádios atrás citadas), se os preços pedidos fariam um bom rombo no meu orçamento? E as editoras não têm razão de queixa em relação à minha pessoa. Prefiro muito mais ter um original que um CD copiado e/ou sacado, tendo já comprado muita coisa graças à pré-audição feita através da internet!

A sorte é que a PJ anda falida (mais uma vergonha governamental), daí eu não me preocupar muito com sanções. Mas estas também são sobretudo para meter medo ao pessoal. É como as multas rodoviárias: aumentam, aumentam, mas a ramboiada nas estradas é a mesma...



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